Ironman Brasil 2011
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quarta-feira, 7 de novembro de 2012
30 Anos de Triathlon no Brasil
Para quem não viu, sugiro que se esforce para assistir ao programa sobre os 30 anos de triathlon no Brasil, o qual foi exibido pelo canal Sportv.
Para ajudar a galera, aí vai o link para assistir a íntegra do programa.
30 ANOS DE TRIATHLON NO BRASIL.
Divirtam-se!!! E aprendam um pouco mais sobre este esporte maravilhoso!
Local:
Fortaleza - CE, Brasil
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Ironman Brasil
Duas semanas afastado do blog, mas não sem vontade de trazer notícias. É que foi a última semana de preparação para o Ironman Brasil 2012, e, apesar de eu não particpar, vi todo o treinamento de alguns amigos, inclusive do Red Team.
Acompanhar a prova à distância, esperando notícias via telefone e internet é um exercício de paciência. A torcida pelo amigos é grande, e nos deixa bem ansiosos. Mas a rede de informações que se formou foi muito legal. As notícias chegavam via Facebook, Whatsapp, etc. Deu para acompanhar à contento.
Os resultados dos cearenses foram realmente expressivos, e deixa clara a evolução, de um modo geral, da performance do triatleta cearense. Há de ser dado destaque a alguns nomes. Como não posso elencar todos aqui, elegi 04 (quatro) amigos que realmente merecem a menção. São eles:
Rafael Arias, o Tobinha
O garoto "destruiu" em Floripa com o tempo de 9:31h. Ficou em 3º da categoria e, pasmem, um absurdo 46º geral. Infelizmente, Tobinha não conseguiu a vaga para Kona, visto que sua categoria só qualifica um atleta para o Mundial no Havaí. Sonho adiado. Repito, ADIADO! Não tenho dúvidas de que ele conseguirá esta vaga.
Rommel (Doctor Jekyll and Mr. Hyde)
Apesar de não ser mais uma surpresa, pois o Dr. sempre demonstra excelente performance, Rommel conseguiu baixar ainda mais seu tempo em Ironman. Mandou em 9:47h. Dizem que a diferença entre os campeões e os reles mortais é a vontade desmedida pela vitória, não importando o sacrifício que tenha que ser feito. E esta caracterísctica, ao meu ver, está presente na personalidade do Dr.
Marcelo, "Seu" Polícia
Foi outro que fez seu tempo anterior despencar. Salvo engano, a redução foi de pouco mais de uma hora. Chegou no pórtico final com 10:11h. Que evolução!!
Pedro Vasconcelos, o Mentirinha
Este foi a dono da evolução mais espetacular entre todos os cearenses. Chegou com 10:59h, conseguindo reduzir sem tempo anterior em impressionantes 1:52h. Seu resultado torna-se ainda mais expressivo quando sabemos que Pedro, em passado bem recente, era obeso.
Bom, estes são os quatro triatletas que escolhi para mencionar e parabenizar especificamente. Entretanto, como já mencionei alhures, isto não tira o mérito de todos os demais, principalmente aqueles que fizeram a prova pela primeira vez, conseguindo, assim, o título de IRONMAN. Não é para qualquer um, viu? Parabéns a todos!!!
Semana seguinte!!!
A semana que sucedeu o Ironman ainda transcorreu sob a magia da prova. Todos colhendo os louros da vitória e contando suas experiências. Nós, os que não participaram, ávidos por notícias, ainda discutíamos e ansiávamos por saber todos os detalhes. E, O MAIS IMPORTANTE, tratava-se da semana em que as inscrições para o Ironman Brasil 2013 seriam abertas.
Falar em semana parece inapropriado, visto que as isncrições para as provas de Ironman tem se esgotado, no mundo todo, em poucos minutos após a abertura. Para o Ironman Brasil 2013 não foi diferente. Sexta-feira, 01 de junho de 2012, às 11h da manhã, um enorme número de triatletas estava à frente de seus computadores. Não tenho dúvidas de que a tensão foi companheira da maioria deles. É uma corrida contra o tempo. Esperar o link finalmente aparecer, clicar nele e correr para fazer todo o procedimento com a maior brevidade possível, na esperança das vagas não esgotarem até que você conclua todos os passos.
Pois é! Não tem para quem quer! São 2.000 (duas mil) vagas que se esgotam em menos de 20 minutos. E pasmem! A inscrinção é feita mediante o pagamento da "bagatela" de US$ 700,00 (setecentos dólares).
Por fim, ver o registro completo, garantindo sua vaga para uma prova que somente será realizada daqui a um ano, e ainda assim ficar extremamente feliz, é realmente algo que só o Ironman pode proporcioar. Vencida a primeira batalhar para fazer um Ironman!! EU ESTOU INSCRITO!
segunda-feira, 30 de abril de 2012
I Etapa Olímpico - Minha Prova
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| I Etapa Cearense de Triathlon Olímpico 2012 Saindo para a corrida |
Sábado passado, 28 de abril, deu-se a I Etapa do Campeonato Cearense de Triathlon Olímpico. A prova, mais uma vez, foi realizada nas proximidades do Hotel Marina Park.
Assim como aconteceu na Meia Maratona de Fortaleza, eu, antes da prova, estava um tanto letárgico. Novamente estranhei. Não estou gostando disso! Calmo demais. Muito além do necessário. Quando soou a sirene da largada, tomei um susto. Não estava sequer esperando! Que coisa!!! Mas aproveite o susto e fui.
A natação não foi boa. Vinha sentindo melhoras nos últimos meses, mas, nesta prova, não percebi evolução. A transição entre natação e ciclismo também não foi das melhores, e perdi algum precioso tempo. Fui para o ciclismo e, NOVAMENTE, sem nenhum pelote para ajudar. Notei que, nas últimas provas, tenho nadado entre dois grupos, e isto faz com que, no ciclismo, eu pedale sozinho. Na prova de sábado, não consegui pegar o pelotão da frente, afinal, um pelotão é sempre mais veloz do que um ciclista pedalando sozinho. Entretanto, o pelote que estava atrás de mim também não teve tempo suficiente para me alcançar.
Assim, pedalei praticamente só. Para não dizer que estava só, um garoto do Núcleo de Alto Rendimento da Fetriece pedalou comigo. Ele até que revezou bem no começo, mas, após 3 voltas (de um total de 8), passou a ficar no vácuo quase que 100% do tempo. Não obstante a falta de um pelote, senti a falta de força nas subidas, principalmente quanto estava contra o vento. A falta de musculação está me matando. E assim foi o pedal. Classifico-o como mediano.
Na corrida, até que fiquei impressionado. Consegui impor um ritmo muito bom. Estava correndo como se não tivesse pedalado antes. Leve, sem sofrimento nas subidas. Show mesmo! Entretanto, como estava muito bom para ser verdade, assim que abri a terceira volta (de um total de 4), veio a dor de lado (dor desviada). Dor aguda. Lembrei-me do Ironman Brasil 2011. Mesma coisa! Diminui o ritmo, praticamente parando. A dor passou, mas perdi uma "perna" inteira da terceira volta naquele ritmo ultra lento.
Passada a dor, voltei ao ritmo de antes. E ainda consegui negativar bastante na quarta e última volta. Aproveitei a descida em frente ao IML e dei o sprint final para a chegada. Fiquei muuuuuito feliz pela minha corrida, mesmo com o contratempo da dor de lado.
Problemas a serem resolvidos:
1) iniciar a prova mais "pilhado";
2) natação - foco principal do momento;
3) ciclismo - voltar a ganhar força (trabalho muscular);
4) corrida - identificar a causa da dor de lado (já tenho minhas suspeitas).
Surpresa:
Após sair o resultado, tive a grata surpresa de ter ficado na 2ª colocação da minha categoria. Muito bom!!!
Viva o Tri!!! Keep Tri!!
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Fortaleza - CE, Brasil
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Triathlon Olímpico - I Etapa do Cearense
No próximo dia 28 de abril, sábado, será realizada a I Etapa do Campeonato Cearense de Triathlon Olímpico. A prova acontecerá no Marina Park Hotel, assim como ocorreu com a I Etapa do Triathlon Sprint.
Os treinos, desde meados da semana passada, após a Meia Maratona de Fortaleza, estão fluindo num ritmo excelente. Os companheiros de equipe, que farão o Ironman Brasil 2012, estão muito focados, e são excelentes companhias para os treinos. Assim, treinar não tem sido problema. Muito ao invés. Tem sido sempre muito divertido!
A natação continua firme. O ciclismo, apesar das chuvas que teimam em atrapalhar, também se mantém constante. E a corrida, no momento, está voltando a ser a minha empolgação. É aquilo que tem trazido mais motivação. Hoje, por exemplo, o treino com tiros, nas cercanias do Cocó, foi um espetáculo. Eu, Chicão, Erick e Pedro Mentirinha gastamos a calçada da Av. Sebastião de Abreu. A chuva não permitiu que treinássemos nas trilhas do Parque do Cocó. Mas, como diz o ditado, quem não tem cão, caça com gato.
Quanto ao Triathlon Olímpico, lembro que não é uma distância que me deixa confortável. Entretanto, isto não se configura em motivo suficiente para não competir com afinco.
E vamos ao Olímpico!!!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
A esquecida natação!
Sou triatleta. Isto é fato! Porém, é notório que os assuntos abordados aqui neste blog são, quase que totalmente, relativos à corrida e ao ciclismo. A coitada da natação acaba sempre em segundo plano. Muito falo sobre corrida e ciclismo. Os treinos de ciclismo são emocionantes; já os de corrida são instigantes. Mas e a natação?
Confesso que isto pode ser uma característica minha. Ou seja, minha valoração à natação não ser a adequada para quem pratica o triathlon.
Sou egresso da corrida, e, portanto, um apaixonado pela modalidade. O ciclismo, por sua vez, é bem difícil no começo. Nos treinos iniciais, via todos indo embora, e eu, esbaforido, perguntava-me:
- Como pode? Estou aqui quase infartando, e esses caras indo adiante, deixando-me longe, e ainda aparentam nem estar fazendo força!
Apesar deste início, o ciclismo vai te cativando, mostrando a emoção da velocidade. Aos poucos o condicionamento vai sendo alcançado e a emoção só cresce. Assim, ainda que um pouco mais lento que a corrida, o ciclismo também vira uma paixão.
E a natação?.... E A NATAÇÃO?....Hummm...
A natação se dá em ambiente que o corpo humano não está assim tão adpatado. O início é muito mais árduo do que o do ciclismo, e não tem a emoção da velocidade para te cativar e fazer insistir. Ou seja, as dificuldades se apresentam bem mais do que o prazer. Para quem nunca nadou quando criança (falo de treinos, escolinha), a coisa se torna ainda mais complicada. Os primeiros dias são um martírio. A respiração, a posição, a mecânica, etc., tudo parece ser demais. São muitos pequenos detalhes a serem combinados de uma vez só. O desestímulo parece ser uma sombra constante!
No meu caso particular, ainda tive muitos problemas de câimbras no início. Sempre que saía da água, mais especificamente, quando meu corpo voltava a ficar na posição vertical, minhas panturrilhas entravam numa contração insana. Fortes câimbras! Esta característica fez-me sofrer muito numa prova de Triathlon Sprint, em fevereiro do ano passado (2011). No entanto, a insistência, ou seja, treinos e mais treinos, fizeram com que estas câimbras ficassem no passado. Ainda assim, os treinos de natação continuavam sendo muito mais uma obrigação do que uma diversão, um hobby.
É óbvio que não posso falar por todos. Aqui, comento apenas a minha experiência pessoal. Como diria Chicó: Não sei, só sei que foi assim!
Entretanto, quando da visita de Reinaldo Colucci (muito comentada aqui no blog), tive a chance de o ver treinando natação, bem como recebi inúmeras dicas. Enquanto Colucci nadava, seu treinador explicava muita coisa, dando informações interessantíssimas. Ainda tive a oportunidade de ver Kal Aragão nadar lado a lado a Colucci. Foi realmente interessante vê-los. Os estilos completamente diferentes. Reinaldo compensa uma técnica menos apurada com muita força, e, principalmente, com pernadas fortíssimas. Aquilo chamou-me a atenção.
Desde então, a natação tem deixado, paulatinamente, de ser uma obrigação. Pus em prática algumas das dicas e senti meu corpo bem mais alinhado à superfície da água, diminuindo o arrasto do famoso nado de pescador de lagoa. Estou saindo da piscina com o sentimento de dever cumprido, mas, principalmente, estou FICANDO na piscina com vontade de realizar o treino.
Este texto, por exemplo, é fruto de uma sensação muito boa sentida durante o treino de ontem, quinta-feira, dia 12 de abril, o qual tive o prazer de fazer a série principal com Carvalhinho. Foi show!
A verdade é que ainda estou muuuuuito aquém de ser um bom nadador, e sempre tenho que, ao sair da água, "correr atrás do prejuízo" nas provas de triathlon. Entretanto, o prejuízo, a cada dia que passa, está menor.
Local:
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
Resultados dos cearenses - ITU Triathlon Pan American Cup
No último dia 31 de março, sábado passado, foi realizado o ITU Triathlon Pan American Cup, em João Pessoa/PB. Alguns cearenses viajaram até a capital paraibana para participarem da prova. E eis os resultados:
Atleta
|
Equipe
|
Tempo
|
Categoria
|
Wesley Matos
|
Pro
|
1:58:33
|
Elite
|
João Martins Galvão
|
Fetriece - Núcleo
|
2:12:22
|
Sub-23
|
Natanael Sales
|
Fetriece – Núcleo
|
2:25:36
|
18 a 19 Masc
|
Ricardo Jesus
|
Sesi Ceará
|
2:30:45
|
30 a 34 Masc
|
Verônica Menezes
|
Fetriece
|
2:36:09
|
35 a 39 Fem
|
Francisco Ivanildo
|
Fetriece – Núcleo
|
2:36:48
|
20 a 24 Masc
|
Heraldo Viana
|
Ares
|
2:37:04
|
35 a 39 Masc
|
Andrea Queiroz
|
Red Team
|
2:43:36
|
30 a 34 Fem
|
Pablo Formiga
|
Zonaalvo
|
2:46:20
|
35 a 39 Masc
|
Lucidio Queiroz
|
2:47:28
|
45 a 49 Masc
| |
Rafael Diogo
|
Zonaalvo
|
2:49:14
|
25 a 29 Masc
|
Pablo Ribeiro
|
Zonaalvo
|
2:50:39
|
30 a 34 Masc
|
Marcelo Rangel
|
Zonaalvo
|
2:51:56
|
30 a 34 Masc
|
Ricardo Barros Leal
|
Ares
|
3:04:52
|
25 a 29 Masc
|
Claudio Amora
|
Fetriece
|
4:16:42
|
TR1 Masc
|
Vamos aos destaques. Primeiramente, há de se exaltar a performance da Gigante Andréa, a qual tem alcançado resultados expressivos desde meados do ano passado. Desta vez, arrancou o quarto lugar geral na competição e, ainda, o primeiro lugar em sua categoria. Parabenizar Andréa já está virando "lugar comum".
Verônica Menezes também levou o ouro em sua categoria, sendo também merecedora de elogios. Wesley Matos vem confirmando ascensão no cenário da elite do triathlon nacional, e ficou em terceiro. Os garotos da Fetriece também estão em franca evolução. João Martins Galvão foi quarto na categoria Sub-23, Natanael Sales foi segundo na categoria 18 a 19 anos, e Ivanildo foi terceiro na categoria 20 a 24 anos.
Por fim, o paratleta Cláudio Amora, mais uma vez, foi medalha de ouro na categoria TR1.
Parabéns a todos os cearenses que se dispuseram a ir à João Pessoa para participar de mais uma prova da ITU - International Triathlon Union.
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sexta-feira, 30 de março de 2012
Corrida e dicas
E termina a semana em que o treinador do Red Team nos fez compainha aqui em Fortaleza. Leandro Macedo chegou na sexta-feira passada, e retorna à Brasília hoje. Estas ocasiões são sempre proveitosas, pois inevitavelmente recebemos dicas novas, além de correções, acompanhamento nos treinos, etc.
É claro que nossa equipe, por não ter seu técnico sempre presente, sofre com alguns aspectos do treinamento. De outra banda, minimizamos este ponto fraco com o companheirismo e preocupação dos mais experientes.
A visita de Leandro teve como principal foco o pessoal que está treinando para o Ironman Brasil 2012. Entretanto, os que não irão para esta prova não foram esquecidos. Eu, por exemplo, tive o prazer de receber atenção especial no treino de corrida desta manhã. Minha corrida tem voltado aos poucos e ando bastante empolgado com isto. Aproveitei para "sugar" informações e dicas para os treinos de corrida que visam a Meia Maratona de Fortaleza.
Recebi dicas especiais de treinos em esteira e percepção (feeling) de pace sem a ajuda do gps do relógio (garmin). Novidades virão em minha planilha. Resta pouco mais de quinze dias para a prova, e foco agora é imprescindível. Ainda recebi dicas de alimentação (peso é tudo na consecução de uma boa performance em corrida) e, por fim, preciosa informação de estratégia, tendo em vista o que foi feito na mesma prova no ano passado (parâmetro).
Assim, apesar da semana de treinos ter sido um pouco atrapalhada pelas chuvas intensas, e, ainda, por nosso treinador ter focado no pessoal que vai para o Ironman Brasil 2012 (nada mais justo!), fiquei feliz demais com este último dia de sua estadia aqui em Fortaleza. Foi um treino apenas! Mas seu valor foi inestimável.
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quinta-feira, 29 de março de 2012
Abril do Ironman Brasil
Está chegando abril. Quem já fez o Ironman Brasil, sabe muito bem o que este mês significa.
Abril traz, em seu dia inaugural, o famoso Dia da Mentira. Mas, paradoxalmente, também traz a única verdade para os triatletas que pretendem fazer o Ironman Brasil: é chegado o mês mais difícil do treinamento. O mês em que tudo parece não ter fim, inclusive o sofrimento. Treinos gigantes, transições pesadas.
E, para o cearense, talvez o nordestino em geral, ainda tem um "plus" de sofrimento. Trata-se do mês mais quente do ano. Umidade altíssima, pouco vento (se é que isso é possível aqui no Ceará!!), e um sol que mais parece convergir todos os seus raios para a cabeça do triatleta em treinamento.
Mas tenho a solução para o problema (se é que você encara isto como um problema): COMPROMETIMENTO! Ano passado, quando fiz meu primeiro e único Ironman (até agora!), estava focado de tal modo que abril passou num piscar de olhos. E mais. Temos a Meia Maratona de Fortaleza e a I Etapa do Campeonato Cearense de Triathlon Olímpico. Tais eventos fazem com que o mês transcorra ainda mais rapidamente.
Assim, não tenho medo de lhes dizer que, caso encarem os treinos de frente, focados, comprometidos, resolutos de que querem passar pelo pórtico de chegada do Ironman Brasil, abril passará sem maiores problemas, e será um mês de treinos memoráveis, inesquecíveis.
Por fim, faço-lhes somente um alerta. Cuidem bem da recuperação no pós-treino. Alimentação, suplementação, alongamentos, e, sono em dia, são exemplos de pontos que deverão ser objeto da preocupação do triatleta em treinamento para qualquer Ironman.
No mais, desejo boa sorte a todos neste abril de 2012. Que venham os treinos!!!
terça-feira, 20 de março de 2012
Brasileiro de Longa Distância - A Prova
| Red Team após a prova do Longa Distância |
Difícil! Eis a palavra que me vem à cabeça na hora de adjetivar a prova realizada no último sábado. E ainda parece um eufemismo. Sério mesmo. É um verdadeiro desafio. E não só pela distância, mas, muito mais, pelas condições climáticas e de percurso.
O Campeonato Brasileiro de Longa Distância, realizado em etapa única, é o que podemos chamar de uma prova casca dura. E, neste ano, os requintes de crueldade da mãe natureza foram a tônica em toda a prova.
Antes de relatar a minha prova, insta dizer que o local para realização da prova é de uma beleza ímpar. Confesso que não conhecia e que fiquei, assim como muitos, abismado com o visual de todo o percurso, principalmente da transição e da corrida. Vale mencionar também todo o esforço da FETRIECE em realizar uma evento merecedor de um Campeonato Brasileiro, o qual serve como classificatório para o Mundial de Longa Distância a ser realizado na Espanha, em julho vindouro.
Ainda sinto-me na obrigação de dizer que fui um dos que criticou o percurso do ciclismo divulgado dias antes da prova, alegando que o mesmo retirava a essência de uma prova de longa distância. O percurso era travado, com cinco voltas, em pistas relativamente estreitas para o tráfego de mais de 200 atletas. Entretanto, a FETRIECE adotou postura proativa e tratou de buscar soluções. Conseguiu ampliar o circuito, diminuindo as voltas do ciclismo para três, o que fez total diferença.
A Prova
A natação foi realizada no mar que fica à frente do Hotel Vila Galé Cumbuco, próximo a um pico de surf conhecido como Pico das Almas. A maré baixa só fez com que as ondas ficassem maiores. Foi uma natação dificílima. 3000m sendo sacudido para cima e para baixo. Em vários momentos as braçadas sequer saíam da água, e, em outros, dávamos braçadas no vazio, tudo em função das enormes ondulações que enfretávamos. Alguns amigos relataram que foram vítimas de "caldos" ao sair do mar, pois as ondas estavam mesmo grandes.
Nesta prova, no meu caso específico, enfrentei uma dificuldade antes nunca encarada por mim. Orientei-me muito mal. Perdi tempo e nadei muito mais do que o necessário. Esperava contar com a corrente, a qual não me arrastou como eu esperava. Ainda assim, conseguir um tempo muito bom para minhas condições de preparo. Já havia ficado feliz com o tempo da primeira volta, e fiquei mais ainda em sair da água em bom estado para as demais etapas da prova.
Minhas transições foram lentas, e vi que tenho que melhorar neste aspecto. A T1 foi menos ruim que a T2, mas, ainda assim, perdi tempo com besteiras. O fato curioso da T1 fica para as palavras do amigo Parahyba, o qual, no trajeto entre a praia e o local onde estavam as bicicletas, falou:
- Ei Elano, vai pensando aí no relato para o blog. Transição difícil com uma duna na saída da praia!
E riu. Aliás, rimos.
No ciclismo, já bem no início, fomos apresentados a uma subida cruel que tratou logo de castigar nossas pernas. Em seguida, o vento deu as boas-vindas. E foi assim até o retorno já na rodovia estruturante, após o posto do garrote. Subidas com vento na cara faziam com que tivéssemos a certeza de que a natureza tinha tirado aquele dia para nos ensinar a não a desafiar. Após o retorno, vento empurrando e velocidade alta para nos animar. O percurso de volta nos dava nova alma para continuarmos. E assim foi por três voltas, só tendo a mencionar que o vento aumentava gradativamente. A última volta foi de superação.
Vale ressaltar a organização da FETRIECE nos retornos e, principalmente, na entrada da rodovia estruturante. Não vi um acidente sequer. Pode até ter ocorrido, mas eu não vi nada.
Na T2, como já adiantei, enrolei-me bastante. O tênis foi parar longe, e fui buscar. Soltei uns palavrões, o que arrancou risadas de alguns staffs. Aconteceu de tudo. Mas saí para correr sabendo que o pior estava por vir.
Logo no ínicio da corrida, de novo, aquela famigerada subida. Correndo, ela parecia bem mais íngrime. Após chegar no percurso no alto da duna, pretensamente plano (mas que de plano não tinha quase nada), as pernas foram começando a responder melhor. Mas leve enjôo por causa dos géis de carboidrato atacou-me. Ainda assim continuei "empurrando" os tais géis para dentro, sob pena de quebrar por falta de forças.
A vontade de parar era constante. O corpo joga contra. A cabeça é quem comanda tudo, e se você deixar o abatimento te dominar, já era. A força mental, neste momento de uma prova tão dura, é a grande chave para o sucesso. Desisitir não pode ser uma opção, NUNCA!
Até que, no meio da segunda volta da corrida (eram 4 voltas ao todo), apareceu a minha amiga de provas, a tal Coca-Cola. Mandei um copo para dentro e esqueci o gel. O problema é que havia apenas um dos postos de hidratação com coca-cola. Mas ainda assim recebi um ânimo a mais, mentalmente e fisicamente. Impressionante! Consegui manter o ritmo. Fui ultrapassado por concorrentes da mesma categoria, mas eu estava ali fazendo o que podia. Não resta dúvida que tenho que melhorar meu desempenho na corrida em provas de triathlon, mas este é justamente o grande segredo a ser alcançado pelo triatleta.
Cheguei ao pórtico final com tempo muito melhor do que o esperado, e fui recebido pela minha linda mulher com um forte abraço. Desafio cumprido. Felicidade à mil. Confraternização com os companheiros de equipe. Todos, aliás, deram-se muuuuuuito bem. Foi um espetáculo!
Entretanto, alguns participantes foram orientados a dar mais meia volta na corrida, fato que causou desconforto. Criaram-se dois grupos. Um que teria corrido cerca de 18km, e outro que percorreu os 20km. O primeiro grupo fez o percurso de acordo com o que foi orientado no congresso técnico. E neste grupo inclui-se a elite. O outro grupo recebeu a informação de fazer mais meia volta já durante a corrida, e isto viria a causar confusão no pós-prova.
A organização, entretanto, até onde fiquei sabendo, identificou os atletas que correram mais e fizeram redução de tempo médio, cerca de 12 minutos. Desta forma, buscou, da melhor maneira possível, corrigir a falha.
Minha colocação
Ao final da prova, saiu uma lista com um pré-resultado. Fiquei em oitavo na categoria, e quarto lugar cearense. Feliz da vida, fui embora. No dia seguinte, o amigo Gilberto, conhecido como Carioca, avisou-me que fui chamado para o pódio. Estranhei bastante. E fiquei no aguardo da lista com o resultado final.
O resultado foi divulgado e vi que realmente estava no pódio, em quarto colocado. Entretanto, estudando a lista, concluí que havia um erro. Todos da categoria haviam recebido uma redução de 8 minutos relativos a largada em ondas. Tudo certo! Entretanto, eu recebi estes mesmo 8 minutos e mais 12 minutos. Suspeitei que fossem os 12 minutos que foram dados para quem correu mais meia volta. Porém, não é o meu caso. Corri as quatro voltas fechadas assim como orientado no congresso.
Tratei de procurar a FETRIECE para corrigir a falha. Quanto à vaga para o mundial, não há insjustiça porque minha movimentação nas posições se deu dentro do intervalo que classifica para a Espanha. Entretanto, quanto ao pódio, a mudança acaba por provocar injustiça. O quarto colocado recebeu o troféu de quinto. E o quinto sequer recebeu o troféu por ter sido realocado para sexto. E eu, que sequer estava lá no momento da premiação, não deveria sequer ter recebido nada.
Verificando a lista, vejo que meu posto de fato é o da 8ª colocação. Este sim é o condizente com meu tempo de 5h:02m altos.
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sexta-feira, 2 de março de 2012
As minhas sextas-feiras
Vontando à prática de treinos intensos e volumosos, hoje, sexta-feira, relembrei uma característica minha que já havia notado à época dos treinos para o Ironman de 2011.
Digo que é uma característica porque ela se repetia fielmente por todas as sextas-feiras. Após toda a semana de treinos, eu acordava na sexta-feira como se não tivesse dormido, como se não tivesse recuperado as forças, organismo com sensação de exaustão.
E hoje foi assim! Acordei como se tivesse acabado de deitar para dormir. Ombros caídos, pernas pesando uma tonelada. Mas fui ao treino. E com a ajuda dos amigos, consegui fazê-lo por inteiro. Foi duro, mas foi bom!
Dizem que a sensação pós-treino é o que vale a pena no esforço. Mas a sensação após aquele treino no qual você tinha absoluta certeza que não terminaria, ou que sequer começaria, é muuuuuuito melhor.
Aaahhhh.... o mais impressionante dessa minha característica das sexta-feiras é que, para os treinos longos do sábado e domingo, eu amanheço "zerado", pronto para a pancada, novinho em folha. Impressionante! Cheguei a levantar a hipótese de que a sensação de exaustão da sexta-feira seria meu corpo preparando-se para os treinos longos do fim de semana. Sinceramente, não sei! Não sou especialista na área e nunca busquei informações sobre isto. Mas, de qualquer forma, não tenho dúvidas de que o corpo humano é mesmo a máquina mais perfeita que existe.
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quinta-feira, 1 de março de 2012
Blog do Max - Postagem para os Pais
Acabei de ler uma postagem, entitulada FILHO DE PEIXE NADA, no extraordinário Blog do Max - Kona Bikes. Trata-se de reflexões de como pais esportistas lidam com seus filhos em relação à prática de esportes. Para quem é pai, é leitura compulsória. Vejam:
"Creio que todo o praticante de esportes àvido - seja amador, profissional ou ocasional - nutre um desejo quase nunca reprimido que seus filhos "tomem gosto pela coisa", que vem a ser o mesmo esporte praticado ou adorado pelo pai. Sonhando acordado, o peladeiro de fim de semana olha seu pequeno chutando uma bexiga no primeiro aniversário e já imagina um futuro camisa 10 canarinho; o nadador Master que acabou de ser pai compra uma pequenina sunga antes mesmo de comprar a primeira fralda para o seu futuro Popov, e, como não poderia deixar de ser, todo o filho de um ciclista apaixonado acaba ganhando um autógrafo do vencedor do Tour ou do Giro antes mesmo de saber quem é Ronaldo (dinho ou dão).
Um pouco disso tem a ver com laços afetivos entre pais e filhos. O jovem que tem em sua memória emocional registros positivos relacionados às figuras maternas e paternas envolvidas com esportes acaba talvez com uma propensão maior a buscar, para si, registros semelhantes. Essa é a vertente positiva da herança esportiva - "eu pratico o esporte que meu pai ou minha mãe praticava porque isso está associado, de alguma forma, a um registro de felicidade, bem estar, energia positiva". E essa vertente é positiva sobretudo porque nasce espontaneamente. Ninguém obriga ou força esse jovem a fazer o que seus pais faziam. Ele o faz por impulso próprio. Ele abre a porta que conduz ao esporte pelo lado de dentro, com suas próprias mãos.
O lado escuro dessa vertente, não menos real, acontece quando a mesma porta que leva ao caminho do esporte é forçada de fora para dentro, e o jovem ou a criança são retirados de seu mundo para praticar uma atividade cujo objetivo primário é preencher as frustrações de seus pais (ou as neuroses políticas de seus países). Todo o resto - a felicidade, o bem estar e a energia positiva - são acessórios opcionais de um pacote indesejado, levando ao caminho doloroso do esporte sem paixão.
Quem vive em meio a atletas sabe o quanto esses cenários são verdadeiros, e acaba descobrindo também que os exemplos relacionados às frustrações e neuroses não são poucos. Eu, pelo menos, já vi de perto mais casos do que gosto de lembrar, e talvez tenha sido por isso que tomei cuidado redobrado ao apresentar o mundo dos esportes para os meus pequenos (quando eles eram pequenos....).
Num raciocínio extremamente simplista, sempre acreditei que o exemplo falaria mais que mil palavras, e foi assim - fazendo e praticamente nunca falando - que levei para eles a minha mensagem. Enquanto eles cresciam, papai nadava, papai pedalava, e de vez em quando papai corria. Às vezes papai chegava cansado, às vezes chegava atrasado, e às vezes mamãe brigava com ele porque chegava cansado demais e atrasado demais. Mas fora isso, papai parecia feliz fazendo o que fazia. Alias, parecia não. Papai era, e continua sendo, extremamente feliz praticando seu esporte. Portanto, papai acabou mostrando que ser feliz é possível na prática, e que ao menos um caminho viável, honesto e não muito complicado existe.
Por outro lado, talvez num excesso de zelo para não entrar no lado escuro da força, nunca fiz da prática esportiva uma obrigação para os pequenos. Embora todos os três tenham passado pelo circuito "escolinha de natação, escolinha de vôley", no dia em que aprenderam a nadar a obrigação da escolinha de natação acabou, e da escolinha de vôley não saiu nenhum pós-graduado. E embora eu já tenha me perguntado mais uma vez se não deveria ter insistido um pouco, acabo sempre voltando e me firmando à noção de que a linha que separa "incentivo" de "imposição" é tênue, e que mesmo que ao cruzá-la sejamos bem sucedidos (ainda bem que meu pai me obrigou a nadar, me disse uma vez um grande nadador), continuo achando que o componente emocional é o que vem em primeiro lugar. Praticar esportes tem a ver com bem estar emocional e físico, e o segundo não existe sem o primeiro. E continuo achando também que a porta para a prática esportiva só leva a um bom caminho se for aberta por dentro. Ficar esmurrando do lado de fora, ou arrombar, é receita para desastre emocional do jovem.
Como fruto dessa crença e da opção que se seguiu, hoje nenhum dos meus três filhos pratica esporte de forma catedrática - embora cada um pratique alguma forma de exercício moderado. E apesar de que certamente sempre tenha ficado com um olho de olho naquela bendita porta na esperança de um deles um dia a abra, não sou frustrado nem triste pelo fato dela (ainda?) permanecer fechada. Antes assim do que ter em casa um campeão trazendo nas costas troféus para minhas prateleiras imaginárias, ou tendo acorrentadas ao peito medalhas que eu nunca fui capaz de ganhar.
Mas um dia atrás do outro é realmente uma coisa curiosa. Ontem - ontem ainda - meu filho do meio disse que iria começar a nadar. "Estou com vontade de fazer algum esporte mais regular", foram as palavras dele, que atualmente é músico em tempo integral e goleiro titular em peladas de fim de semana. Nem tive tempo de respirar. "A que horas mesmo começa a aula da faculdade oito e meia então você pode fazer como eu fazia na sua idade vai nadar de madrugada que dá tempo e sobra eu vou com você fazer o teste conheço todo mundo lá você vai adorar tenho certeza vai desenvolver seu corpo de forma harmônica o que estamos esperando vamos lá". Se não foi isso foi mais ou menos isso.
Imagine. E eu imaginei! Com essas mãos que parecem uma raquete de frescobol e pés que dispensam nadadeiras! Com essa altura toda! Em um ano vai baixar de um minuto nos 100 livre. Xuxa...Gustavo Borges...Cielo....Popov...Thorpe....Ian Quint!
Mal meu filho entreabriu a porta, eu já tinha derrubado ela com parede e tudo e estava prestes a arrancá-lo de seu mundo para o meu.
Temos realmente que nos controlar. Às vezes, pouco pode a razão diante de uma grande paixão"
Um pouco disso tem a ver com laços afetivos entre pais e filhos. O jovem que tem em sua memória emocional registros positivos relacionados às figuras maternas e paternas envolvidas com esportes acaba talvez com uma propensão maior a buscar, para si, registros semelhantes. Essa é a vertente positiva da herança esportiva - "eu pratico o esporte que meu pai ou minha mãe praticava porque isso está associado, de alguma forma, a um registro de felicidade, bem estar, energia positiva". E essa vertente é positiva sobretudo porque nasce espontaneamente. Ninguém obriga ou força esse jovem a fazer o que seus pais faziam. Ele o faz por impulso próprio. Ele abre a porta que conduz ao esporte pelo lado de dentro, com suas próprias mãos.
O lado escuro dessa vertente, não menos real, acontece quando a mesma porta que leva ao caminho do esporte é forçada de fora para dentro, e o jovem ou a criança são retirados de seu mundo para praticar uma atividade cujo objetivo primário é preencher as frustrações de seus pais (ou as neuroses políticas de seus países). Todo o resto - a felicidade, o bem estar e a energia positiva - são acessórios opcionais de um pacote indesejado, levando ao caminho doloroso do esporte sem paixão.
Quem vive em meio a atletas sabe o quanto esses cenários são verdadeiros, e acaba descobrindo também que os exemplos relacionados às frustrações e neuroses não são poucos. Eu, pelo menos, já vi de perto mais casos do que gosto de lembrar, e talvez tenha sido por isso que tomei cuidado redobrado ao apresentar o mundo dos esportes para os meus pequenos (quando eles eram pequenos....).
Num raciocínio extremamente simplista, sempre acreditei que o exemplo falaria mais que mil palavras, e foi assim - fazendo e praticamente nunca falando - que levei para eles a minha mensagem. Enquanto eles cresciam, papai nadava, papai pedalava, e de vez em quando papai corria. Às vezes papai chegava cansado, às vezes chegava atrasado, e às vezes mamãe brigava com ele porque chegava cansado demais e atrasado demais. Mas fora isso, papai parecia feliz fazendo o que fazia. Alias, parecia não. Papai era, e continua sendo, extremamente feliz praticando seu esporte. Portanto, papai acabou mostrando que ser feliz é possível na prática, e que ao menos um caminho viável, honesto e não muito complicado existe.
Por outro lado, talvez num excesso de zelo para não entrar no lado escuro da força, nunca fiz da prática esportiva uma obrigação para os pequenos. Embora todos os três tenham passado pelo circuito "escolinha de natação, escolinha de vôley", no dia em que aprenderam a nadar a obrigação da escolinha de natação acabou, e da escolinha de vôley não saiu nenhum pós-graduado. E embora eu já tenha me perguntado mais uma vez se não deveria ter insistido um pouco, acabo sempre voltando e me firmando à noção de que a linha que separa "incentivo" de "imposição" é tênue, e que mesmo que ao cruzá-la sejamos bem sucedidos (ainda bem que meu pai me obrigou a nadar, me disse uma vez um grande nadador), continuo achando que o componente emocional é o que vem em primeiro lugar. Praticar esportes tem a ver com bem estar emocional e físico, e o segundo não existe sem o primeiro. E continuo achando também que a porta para a prática esportiva só leva a um bom caminho se for aberta por dentro. Ficar esmurrando do lado de fora, ou arrombar, é receita para desastre emocional do jovem.
Como fruto dessa crença e da opção que se seguiu, hoje nenhum dos meus três filhos pratica esporte de forma catedrática - embora cada um pratique alguma forma de exercício moderado. E apesar de que certamente sempre tenha ficado com um olho de olho naquela bendita porta na esperança de um deles um dia a abra, não sou frustrado nem triste pelo fato dela (ainda?) permanecer fechada. Antes assim do que ter em casa um campeão trazendo nas costas troféus para minhas prateleiras imaginárias, ou tendo acorrentadas ao peito medalhas que eu nunca fui capaz de ganhar.
Mas um dia atrás do outro é realmente uma coisa curiosa. Ontem - ontem ainda - meu filho do meio disse que iria começar a nadar. "Estou com vontade de fazer algum esporte mais regular", foram as palavras dele, que atualmente é músico em tempo integral e goleiro titular em peladas de fim de semana. Nem tive tempo de respirar. "A que horas mesmo começa a aula da faculdade oito e meia então você pode fazer como eu fazia na sua idade vai nadar de madrugada que dá tempo e sobra eu vou com você fazer o teste conheço todo mundo lá você vai adorar tenho certeza vai desenvolver seu corpo de forma harmônica o que estamos esperando vamos lá". Se não foi isso foi mais ou menos isso.
Imagine. E eu imaginei! Com essas mãos que parecem uma raquete de frescobol e pés que dispensam nadadeiras! Com essa altura toda! Em um ano vai baixar de um minuto nos 100 livre. Xuxa...Gustavo Borges...Cielo....Popov...Thorpe....Ian Quint!
Mal meu filho entreabriu a porta, eu já tinha derrubado ela com parede e tudo e estava prestes a arrancá-lo de seu mundo para o meu.
Temos realmente que nos controlar. Às vezes, pouco pode a razão diante de uma grande paixão"
Já citei a fonte. E agora aí vai o link para quem quser conhecer melhor aquele blog: http://maxkonabikes.blogspot.com/
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Fortaleza - CE, Brasil
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Chuva x Treinos para o Ironman
Sei que muitos triatletas cearenses farão seu primeiro Ironman em maio vindouro. E, como sabido, os treinos para o Ironman Brasil dão-se entre janeiro e maio de cada ano. Assim, invariavelmente, pegamos o período chuvoso aqui do Ceará.
Assim, impossível não ter aquela constante preocupação com os treinos de ciclismo. Dará ou não para treinar? Conseguirei treinar a contento mesmo com essas chuvas assolando nosso estado? Terei que comprar um rolo? Faço spinning? Estas são perguntas comuns entre os que estão se preparando, aqui no Ceará, para o Ironman Brasil.
Diante de tais dúvidas, venho contar minha experiência. Vale mencionar que tenho como parâmetro apenas o ano de 2011, tendo em vista ter feito apenas o Ironman Brasil daquele ano. Porém, foi um ano bem chuvoso, e, acho eu, servirá de comparação.
Pois bem! Eu não comprei rolo. Aliás, não tenho até hoje. E não fiz uma aula sequer de spinning. Não sei se contei tanto assim com a sorte, mas o fato é que consegui fazer os treinos de ciclismo para o Ironman sem maiores problemas. Se peguei chuva durante os treinos? Claro que sim! Mas nunca saí de casa para treinar com a chuva já caindo. Se perdi algum treino por ter amanhecido chovendo? Claro que sim! Mas foram, NO MÁXIMO, três ocasiões.
Não me preocupei com isso, e busquei somente fazer o que dava para fazer. Mas o fiz bem feito, com comprometimento. Obviamente os treinos de maior volumes tem de ser respeitados. Lembro-me bem de ter perdido um treino de 160km, e isto deixou-me um tanto estressado. Mas logo vi que outros viriam, e a coisa fluiria normalmente. E assim aconteceu!!
Portanto, não deixem a ansiedade lhes trazer problemas. Estes, já bastam o normais do dia-a-dia. O triathlon é nosso hobby, e não deve nos consumir a este ponto. Assim, apenas planejem bem, mas não sofram se algo sair do script. Um desvio ou outro no caminho não significa que você não chegará ao ponto final.
Local:
Fortaleza - CE, Brasil
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Eu treinei com Reinaldo Colucci
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| Eu e Reinaldo Colucci |
É! É isto mesmo! Mal o carnaval acabou, e já na quinta-feira, Reinaldo Colucci estava desembarcando em terras alencarinas para ministrar uma Clínica sobre o triathlon. O evento consistia em algumas palestras (teoria) e alguns treinos (prática).
Foi show!
Na quinta-feira, 23.02.2012, tivemos apenas um evento promocional na Farmácia Pague Menos, onde foram apresentados produtos de suplementação alimentar da Midway, onde o Colucci também compareceu e concedeu autógrafos para quem se fez presente. Eu, como se vê na foto abaixo, garanti o meu.
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| Meu autógrafo! Pode valer ouro num futuro próximo! |
Na sexta-feira, pela manhã cedo, Colucci fez o seu treino, e tivemos a chance de acompanhá-lo no aquecimento. No final da manhã, deu-se o início propriamente dito da clínica. Uma excelente palestra contando a história de nosso maior triatleta em atividade desde seu início nos esportes. Uma espécie de biografia esportiva. Nesta palesta, percebi Colucci ainda um tanto formal. Porém, tratava-se de um primeiro contato mais aproximado com os participantes da clínica. O ponto alto desta palestra foi o fato dele ter escolhido três provas que o marcaram, e nos ter contado os detalhes das mesmas.
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| Colucci palestrando |
Ainda na sexta, no final da tarde, aconteceu outra palestra. Desta vez tratando de conceitos do triathlon, treinamentos das três modalidades, comportamento psicológico, etc. Esta palestra foi um verdadeiro espetáculo. Colucci, neste momento já transformado em Reinaldo, bem mais à vontade e interagindo 100% com a galera, foi minudente. Iniciou com possíveis "segredos". E enfatizou: estes tais segredos NÃO EXISTEM! É treinamento sério e vontade de vencer. Passou por cada modalidade informando treinos chaves para uma boa performance, inclusive tratando de biomecânica. Também comentou nutrição, dizendo até mesmo o que ele usa de suplementação. A palestra foi tão boa que, quando olhei para o relógio pela primeira vez, já passava das oito horas da noite. E nosso papo estendeu-se até 21h.
No sábado, pela manhã, atividades práticas de corrida. Um aquecimento seguido de educativos bem interessantes e, empós, tiros. Tudo isto com a informação adequada, apontado o intuito do treino. Ou seja, faça assim, para obter resultado assim. Tudo muito bem explicadinho! Vale lembrar que os treinos eram acompanhados e orientados pelo Técnico Eduardo Braz, o qual acompanhava Reinaldo.
Na tarde do sábado, fomos à piscina. E as dicas da natação não deixaram a desejar. Cada educativo casca grossa que me fez suar só de ver do lado de fora da piscina. Tivemos até orientações de treino de esteira. Show!! Uma das coisas que mais me chamou atenção, foram as informações de quantas vezes o Reinaldo costuma fazer cada coisa durante a semana. Assim, tínhamos uma clara ideia de como se desenrola o treinamento de um profissional.
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| Colucci e Kal Aragão |
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| Turma que aproveitou os ensinamentos da natação |
Por fim, no domingo, fomos à CE-040 para um treino de ciclismo. Reinaldo nos mostrou treinos de Big Gear e Race Cadence, informando como se deve executá-los e para que servem. Após, fizemos cinco tiros de 5min com intervalo de 1min girando. Reinaldo puxando o pelote que, animado, suava para o acompanhar. Vale dizer que, durante o treino, o técnico Eduardo Braz deu inúmeras dicas de ciclismo. Concomitantemente, os participantes revezavam ao lado de Reinaldo, sugando-lhe as mais dversas dicas e informações.
Ao terminar o treino, Reinaldo reuniu a galera e agradeceu bastante a iniciativa. Disse que adorou a experiencia e que está aberto para novas oportunidade. Alguns participantes manifestaram-se sobre a clínica, em geral agradecendo a Reinaldo e Eduardo. E a sessão tietagem começou: fotos!
Quando achei que não veria mais nada, soube que Reinaldo faria, ainda, 5 tiros de 1km. É óbvio que eu não perderia isso por nada neste mundo! Foi insano! Vê-lo correr no estacionamento do Iguatemi e cercanias do Parque do Cocó foi um espetáculo à parte! Policiais e pedestres que viam aquela figura longilínea, quase voando, com pés que mal pareciam tocar o chão, calcanhares erguidos, numa postura que não se alterava nem mesmo no último tiro, ficavam boquiabertos. Porém, o sofrimento/esforço estava estampado no rosto, e lamentei não estar com celular em mãos para registrar o momento. Vi que alguém gravou, e tentarei conseguir este vídeo para compartlhar com vocês!! Foi de arrepiar!
Foi realmente ímpar! Ter, aqui, treinando ao nosso lado, o maior expoente do triathlon nacional em atividade, podendo vir a ser, em futuro bem breve, o maior do Brasil de todos os tempos, foi algo que ficará para a história.
Agora, a empolgação com os treinos foi à mil, e a torcida por Reinaldo Colucci também. Londres vem aí, e o cara está totalmente focado. Força, Colucci!!!
Quem quiser saber um pouco mais, clique aqui!!
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Força na PAT e Santos Dumont
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| Ciclismo Ironman Brasil 2011 A esforço feito hoje é o resultado alcançado amanhã! (clique na foto para ampliar) |
E continuam os treinos de força. O treino de ciclismo desta terça-feira, 14.02.2012, foi de transferir o coração para as coxas. Três séries de subidas na Av. Santos Dumont fizeram com que ouvíssemos gritos tais como:
- EU QUERO MORRER!
Pois é!!! Sofrimento muito!
Mas como diz meu amigo Pedro Vasconcelos, "treino ruim é treino bom"!
Hoje tivemos a honra da compainha de Hermeto Aguiar, atleta da Diogo Porto Team, e gente finíssima. Hermeto dividiu conosco 1:45h de suor. Valeu!!!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
I Etapa Triathlon Sprint - A PROVA
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| Eu (direita) e meu amigo Alberto Capitão na saída da natação. |
Como exaustivamente anunciado neste blog, neste último sábado aconteceu a I Etapa do Campeonato Cearense de Triathlon Sprint. A prova, realizada no Marina Park Hotel, contou com mais de 300 participantes. Foi uma festa!!
A Prova
O mar não estava nada amigável. Estamos em fevereiro e a ressaca do mar foi muito forte neste ano. A maior maré do ano aconteceu poucos dias antes da data da prova. A largada atrasou um pouco, o que só piorou a condição do mar, pois, como a maré estava secando, as ondas estavam "crescendo" muito. E o pior: a arrebentação estava tão próxima à praia que as ondas quebravam na areia. Assim, a grande dificuldade da natação estaria na entrada e saída do mar. Não havia corrente significativa, e muitas nuvens anunciavam que o sol daria uma pequena trégua para os atletas.
A largada se daria em "ondas", ou seja, de acordo com a faixa etária. Com algum atraso, largou o pessoal de 50 a 64 anos. Após eles, todas as mulheres largaram. Em seguida, as categorias compreendidas entre 35 a 49 anos de idade. E aí eu larguei.
Não foi, nem de longe, uma boa natação. Mas também não foi ruim, tendo em vista que estou treinando natação há apenas duas semanas. Foram mais de seis meses afastado das piscinas e do mar. O fato é que, até a primeira boia, o sofrimento para encaixar a respiração foi enorme.
Natação terminada, ânimo renovado para o ciclismo. Fiz uma boa transição, e tratei de por força no pedal. Afinal, durante o segundo semestre do ano passado, a única das modalidades que treinei 100% foi o ciclismo. Entrei na Av. Leste Oeste sem ver nenhum pelotão para ajudar no pedal. Mas fui em frente. Já na metade da etapa do ciclismo, um pelotão com alguns integrantes da Zonaalvo alcançou-me. Eram, salvo engano, Eugênio, Marcelo Freire, Pedro Guimarães, e alguns garotos do Núcleo. Foi quando consegui ir mais rápido em função da ajuda do pelote. O revezamento foi essencial.
Ciclismo concluído, hora da corrida. Esta, que outrora fora "a minha praia", seria uma incógnita. Tratava-se de um sprint triathlon, e, definitivamente, não sou um atleta de explosão. Dou-me muito melhor no endurance. Só encaixo um bom ritmo com algum tempo. Assim, a primeira das duas voltas foi um suplício. Praticamente arrastando-me nas subidas da Av. Leste Oeste. Entretanto, ao abrir a segunda volta, novo ânimo nas pernas e o ritmo subiu bastante. Senti mais confiança e fui. Não sei o pace que corria, pois meu garmin deixou-me na mão há alguns dias, quebrando de vez.
O fato é que concluí a I Etapa do Campeonato Cearense de Sprint Triathlon feliz da vida. Foi o melhor que eu podia fazer para aquele dia, face as condições de treino em que me encontrava.
O melhor de tudo
Estava eu numa prova de triathlon após longos 8 meses e alguns dias. Desde o Ironman Brasil 2011 que não participava de uma prova de triathlon. Foi uma bênção. Obrigado, Meu Deus!!!!
Coisas que eu vi
Resolvi mencionar aqui algumas cenas que presenciei, ainda que à distância, na prova de sábado passado. São fatos que merecem destaque. Vamos pela ordem em que aconteceram:
1) O número de participantes e o clima de festa;
2) Na largada das mulheres, Rafael Leitão, responsável pela Zonaalvo, ajudando sua aluna Flávia Parente, ainda uma neófita no triathlon, a entrar naquele revolto mar, furando a arrebentação e encorajando sua aluna;
3)Após a largada das categorias de 50 a 64 anos, e das mulheres, a saída de Sammia da água foi emocionante. Ela largou após as categorias de 50 a 64 anos e ainda ultrapassou a todos, saindo do mar com uma distância impressionante para os demais. A praia, ainda lotada com o pessoal das outras categorias, foi tomada por frenética ovação. Nada forçado! A espontaneidade das palmas era notória, principalmente por serem muito merecidas. Foi de arrepiar! E ela saiu com postura/classe de campeã, como de fato o foi;
4) Thiago Mohana, um dos responsáveis pela Triativo Assessoria, com uma boia salva-vidas amarrada à cintura, pronto para entrar no mar e acompanhar os estreantes de sua equipe;
5) No ciclismo, ao ser alcançado pelo pelote que mencionei acima, ser incentivado e ajudado por Pedro Guimarães, a quem ora agradeço;
6) A impressionante imagem de Daniel Parente (Zonaalvo) sentado à beira da calçada, com inúmeros arranhões, desolado, após queda no ciclismo. Ao seu lado, um garoto do Núcleo, também vítima do mesmo acidente, aos prantos;
7) O gigante Ricardo Veras dando mais um show em impressionante performance, principalmente na corrida, onde parecia sequer tocar o chão;
8) Delano Belchior demonstrando evolução significativa;
9) Bruno Bazzan correndo com postura firme, rápido, demonstrando muita segurança nas passadas;
10) E, por fim, André Veras ultrapassar-me faltando menos de 10 metros para a chegada. AAAhhhhh covarde! kkkkkk....
Considerações finais
Soube, hoje, dois dias após a prova, que Daniel Parente não sofreu nada muito grave, não necessitando de intervenção cirúrgica em sua clavícula. Menos mal!!! Que sua recuperação seja rápida.
Obviamente, outros destaques ocorreram naquele dia. Entretanto, estes foram os que eu vi. E prefiro ficar somente nos positivos (apesar de ter mencionado o acidente no ciclismo). É... isto mesmo! Também houveram destaques negativos. Falta de esportividade, de companheirismo. Mas tais fatos lamentáveis não merecem ser replicados ou divulgados. Que se percam no esquecimento! Torço, ainda, para que estas atitudes também sejam abandonadas pelos seus praticantes, para que o sentimento que as provocam não continue corroendo as pobres almas sofredoras.
Que venha o Brasileiro de Longa Distância!!! Enquanto isso, vamos aos treinos.
Resultado do Sprint Triathlon disponível no site da FETRIECE: clique aqui!
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