Ironman Brasil 2011

Ironman Brasil 2011

quinta-feira, 1 de março de 2012

Blog do Max - Postagem para os Pais



Acabei de ler uma postagem, entitulada FILHO DE PEIXE NADA, no extraordinário Blog do Max - Kona Bikes. Trata-se de reflexões de como pais esportistas lidam com seus filhos em relação à prática de esportes. Para quem é pai, é leitura compulsória. Vejam:

"Creio que todo o praticante de esportes àvido - seja amador, profissional ou ocasional - nutre um desejo quase nunca reprimido que seus filhos "tomem gosto pela coisa", que vem a ser o mesmo esporte praticado ou adorado pelo pai. Sonhando acordado, o peladeiro de fim de semana olha seu pequeno chutando uma bexiga no primeiro aniversário e já imagina um futuro camisa 10 canarinho; o nadador Master que acabou de ser pai compra uma pequenina sunga antes mesmo de comprar a primeira fralda para o seu futuro Popov, e, como não poderia deixar de ser, todo o filho de um ciclista apaixonado acaba ganhando um autógrafo  do vencedor do Tour ou do Giro antes mesmo de saber quem é Ronaldo (dinho ou dão).

Um pouco disso tem a ver com laços afetivos entre pais e filhos. O jovem que tem em sua memória emocional registros positivos relacionados às figuras maternas e paternas envolvidas com esportes acaba talvez com uma propensão maior a buscar, para si, registros semelhantes. Essa é a vertente positiva da herança esportiva - "eu pratico o esporte que meu pai ou minha mãe praticava porque isso está associado, de alguma forma, a um registro de felicidade, bem estar, energia positiva". E essa vertente é positiva sobretudo porque nasce espontaneamente. Ninguém obriga ou força esse jovem a fazer o que seus pais faziam. Ele o faz por impulso próprio. Ele abre a porta que conduz ao esporte pelo lado de dentro, com suas próprias mãos.

O lado escuro dessa vertente, não menos real,  acontece quando a mesma porta que leva ao caminho do esporte  é forçada de fora para dentro, e o jovem ou a criança são retirados de seu mundo para praticar uma atividade cujo objetivo primário é preencher as frustrações de seus pais (ou as neuroses políticas de seus países). Todo o resto - a felicidade, o bem estar e a energia positiva - são acessórios opcionais de um pacote indesejado, levando ao caminho doloroso do esporte sem paixão.

Quem vive em meio a atletas sabe o quanto esses cenários são verdadeiros, e acaba descobrindo também que os exemplos relacionados às frustrações e neuroses não são poucos. Eu, pelo menos, já vi de perto mais casos do que gosto de lembrar, e talvez tenha sido por isso que tomei cuidado redobrado ao apresentar o mundo dos esportes para os meus pequenos (quando eles eram pequenos....).

Num raciocínio extremamente simplista, sempre acreditei que o exemplo falaria mais que mil palavras, e foi assim - fazendo e praticamente nunca falando - que levei para eles a minha mensagem. Enquanto eles cresciam, papai nadava, papai pedalava, e de vez em quando papai corria. Às vezes papai chegava cansado, às vezes chegava atrasado, e às vezes mamãe brigava com ele porque chegava cansado demais e atrasado demais.  Mas fora isso, papai parecia feliz fazendo o que fazia. Alias, parecia não. Papai era, e continua sendo, extremamente feliz praticando seu esporte. Portanto, papai acabou mostrando que ser feliz é possível na prática, e que ao menos um caminho viável, honesto e não muito complicado existe.

Por outro lado, talvez num excesso de zelo para não entrar no lado escuro da força, nunca fiz da prática esportiva uma obrigação para os pequenos. Embora todos os três tenham passado pelo circuito "escolinha de natação, escolinha de vôley", no dia em que aprenderam a nadar a obrigação da escolinha de natação acabou, e da escolinha de vôley não saiu nenhum pós-graduado. E embora eu já tenha me perguntado mais uma vez se não deveria ter insistido um pouco, acabo sempre voltando e me firmando à noção de que a linha que separa "incentivo" de "imposição" é tênue, e que mesmo que ao cruzá-la sejamos bem sucedidos (ainda bem que meu pai me obrigou a nadar, me disse uma vez um grande nadador), continuo achando que o componente emocional é o que vem em primeiro lugar. Praticar esportes tem a ver com bem estar emocional e físico, e o segundo não existe sem o primeiro.  E continuo achando também que a porta para a prática esportiva só leva a um bom caminho se for aberta por dentro. Ficar esmurrando do lado de fora, ou arrombar, é receita para desastre emocional do jovem.

Como fruto dessa crença e da opção que se seguiu, hoje nenhum dos meus três filhos pratica esporte de forma catedrática - embora cada um pratique alguma forma de exercício moderado. E apesar de que certamente sempre tenha ficado com um olho de olho naquela bendita porta na esperança de um deles um dia a abra, não sou frustrado nem triste pelo fato dela (ainda?) permanecer fechada. Antes assim do que ter em casa um campeão trazendo nas costas  troféus para minhas prateleiras imaginárias, ou tendo acorrentadas ao peito medalhas que eu nunca fui capaz de ganhar.

Mas um dia atrás do outro é realmente uma coisa curiosa. Ontem - ontem ainda - meu filho do meio disse que iria começar a nadar. "Estou com vontade de fazer algum esporte mais regular", foram as palavras dele, que atualmente é músico em tempo integral e goleiro titular em peladas de fim de semana. Nem tive tempo de respirar. "A que horas mesmo começa a aula da faculdade oito e meia então você pode fazer como eu fazia na sua idade vai nadar de madrugada que dá tempo e sobra eu vou com você fazer o teste conheço todo mundo lá você vai adorar tenho certeza vai desenvolver seu  corpo de forma harmônica o que estamos esperando vamos lá". Se não foi isso foi mais ou menos isso.

Imagine. E eu imaginei! Com essas mãos que parecem uma raquete de frescobol e pés que dispensam nadadeiras! Com essa altura toda! Em um ano vai baixar de um minuto nos 100 livre. Xuxa...Gustavo Borges...Cielo....Popov...Thorpe....Ian Quint!

Mal meu filho entreabriu a porta, eu já tinha derrubado ela com parede e tudo e estava prestes a arrancá-lo de seu mundo para o meu.

Temos realmente que nos controlar. Às vezes, pouco pode a razão diante de uma grande paixão"

Já citei a fonte. E agora aí vai o link para quem quser conhecer melhor aquele blog: http://maxkonabikes.blogspot.com/

Leão e reflexões



É chegado março. E, com ele, a época de acertar as contas com o Fisco Federal, popularmente conhecido como Leão. Creio que o  Fisco Federal recebeu este apelido em função da força inerente ao Estado e, principalmente, por conta da mordida que o "leão" dá em nossos rendimentos.

Não sei se é o caso de vocês, mas sempre que estamos nesta época do ano, especificamente quando é hora de fazer a Declaração de Imposto sobre a Renda, vem-me à cabeça uma série de reflexões.

A primeira, como não poderia deixar de ser, é sobre a dinheirama que o Estado nos leva. Imaginem o montante arrecadado!! Mas eu juro que não pensaria nisso se tivéssesmos um retorno eficaz em serviços estatais. E aí eu incluo tudo: educação pública, infraestrutura (vias, áreas de lazer, etc.), saúde pública, etc. Ou seja, qualidade de vida! No entanto, não é o que acontece no Brasil.

Aí, em seguida, penso numa forma de mudar isto. Há? Eu tenho mesmo que pagar tanto dinheiro ao Estado para, depois, ainda ter que pagar por fora por uma saúde de qualidade, educação de qualidade, etc? Aí me vem à cabeça tudo aquilo que vemos em Teoria Geral do Estado. Também lembro de O Contrato Social, O Leviatã, O Príncipe, Legitimidade, etc.

Aí a coisa vai ficando mais profunda. E a Anarquia? Funcionaria? Numa sociedade ideal, sem violência, com respeito mútuo, onde seria garantido não haver problemas de convivência, etc, caberia a anarquia? Não teríamos governo, ordem hierárquica ou coerção, tendo em vista tudo isto ter se tornado desnecessário. Será?

O fato é que estamos em um Estado Democrático de Direito, onde todo poder emana do povo, o qual legitima seus governantes através do voto, e "banca" o Estado através de seus rendimentos. E nós, povo? Só pagamos? Até quando?

Só me restam estas certezas: pagamos muito e mal; e votamos pior ainda!!!

Mas deixemos de elucubrações e voltemos à vida real. Viva o Brasil!!!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Chuva x Treinos para o Ironman



Sei que muitos triatletas cearenses farão seu primeiro Ironman em maio vindouro. E, como sabido, os treinos para o Ironman Brasil dão-se entre janeiro e maio de cada ano. Assim, invariavelmente, pegamos o período chuvoso aqui do Ceará.

Assim, impossível não ter aquela constante preocupação com os treinos de ciclismo. Dará ou não para treinar? Conseguirei treinar a contento mesmo com essas chuvas assolando nosso estado? Terei que comprar um rolo? Faço spinning? Estas são perguntas comuns entre os que estão se preparando, aqui no Ceará, para o Ironman Brasil.

Diante de tais dúvidas, venho contar minha experiência. Vale mencionar que tenho como parâmetro apenas o ano de 2011, tendo em vista ter feito apenas o Ironman Brasil daquele ano. Porém, foi um ano bem chuvoso, e, acho eu, servirá de comparação.

Pois bem! Eu não comprei rolo. Aliás, não tenho até hoje. E não fiz uma aula sequer de spinning. Não sei se contei tanto assim com a sorte, mas o fato é que consegui fazer os treinos de ciclismo para o Ironman sem maiores problemas. Se peguei chuva durante os treinos? Claro que sim! Mas nunca saí de casa para treinar com a chuva já caindo. Se perdi algum treino por ter amanhecido chovendo? Claro que sim! Mas foram, NO MÁXIMO, três ocasiões.

Não me preocupei com isso, e busquei somente fazer o que dava para fazer. Mas o fiz bem feito, com comprometimento. Obviamente os treinos de maior volumes tem de ser respeitados. Lembro-me bem de ter perdido um treino de 160km, e isto deixou-me um tanto estressado. Mas logo vi que outros viriam, e a coisa fluiria normalmente. E assim aconteceu!!

Portanto, não deixem a ansiedade lhes trazer problemas. Estes, já bastam o normais do dia-a-dia. O triathlon é nosso hobby, e não deve nos consumir a este ponto. Assim, apenas planejem bem, mas não sofram se algo sair do script. Um desvio ou outro no caminho não significa que você não chegará ao ponto final.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Eu treinei com Reinaldo Colucci



Eu e Reinaldo Colucci


É! É isto mesmo! Mal o carnaval acabou, e já na quinta-feira, Reinaldo Colucci estava desembarcando em terras alencarinas para ministrar uma Clínica sobre o triathlon. O evento consistia em algumas palestras (teoria) e alguns treinos (prática).

Foi show!

Na quinta-feira, 23.02.2012, tivemos apenas um evento promocional na Farmácia Pague Menos, onde foram apresentados produtos de suplementação alimentar da Midway, onde o Colucci também compareceu e concedeu autógrafos para quem se fez presente. Eu, como se vê na foto abaixo, garanti o meu.



Meu autógrafo! Pode valer ouro num futuro próximo!


Na sexta-feira, pela manhã cedo, Colucci fez o seu treino, e tivemos a chance de acompanhá-lo no aquecimento. No final da manhã, deu-se o início propriamente dito da clínica. Uma excelente palestra contando a história de nosso maior triatleta em atividade desde seu início nos esportes. Uma espécie de biografia esportiva. Nesta palesta, percebi Colucci ainda um tanto formal. Porém, tratava-se de um primeiro contato mais aproximado com os participantes da clínica. O ponto alto desta palestra foi o fato dele ter escolhido três provas que o marcaram, e nos ter contado os detalhes das mesmas.



Colucci palestrando


Ainda na sexta, no final da tarde, aconteceu outra palestra. Desta vez tratando de conceitos do triathlon, treinamentos das três modalidades, comportamento psicológico, etc. Esta palestra foi um verdadeiro espetáculo. Colucci, neste momento já transformado em Reinaldo, bem mais à vontade e interagindo 100% com a galera, foi minudente. Iniciou com possíveis "segredos". E enfatizou: estes tais segredos NÃO EXISTEM! É treinamento sério e vontade de vencer. Passou por cada modalidade informando treinos chaves para uma boa performance, inclusive tratando de biomecânica. Também comentou nutrição, dizendo até mesmo o que ele usa de suplementação. A palestra foi tão boa que, quando olhei para o relógio pela primeira vez, já passava das oito horas da noite. E nosso papo estendeu-se até 21h.

No sábado, pela manhã, atividades práticas de corrida. Um aquecimento seguido de educativos bem interessantes e, empós, tiros. Tudo isto com a informação adequada, apontado o intuito do treino. Ou seja, faça assim, para obter resultado assim. Tudo muito bem explicadinho! Vale lembrar que os treinos eram acompanhados e orientados pelo Técnico Eduardo Braz, o qual acompanhava Reinaldo.

Na tarde do sábado, fomos à piscina. E as dicas da natação não deixaram a desejar. Cada educativo casca grossa que me fez suar só de ver do lado de fora da piscina. Tivemos até orientações de treino de esteira. Show!! Uma das coisas que mais me chamou atenção, foram as informações de quantas vezes o Reinaldo costuma fazer cada coisa durante a semana. Assim, tínhamos uma clara ideia de como se desenrola o treinamento de um profissional.



Colucci e Kal Aragão




Turma que aproveitou
os ensinamentos da natação

Por fim, no domingo, fomos à CE-040 para um treino de ciclismo. Reinaldo nos mostrou treinos de Big Gear e Race Cadence, informando como se deve executá-los e para que servem. Após, fizemos cinco tiros de 5min com intervalo de 1min girando. Reinaldo puxando o pelote que, animado, suava para o acompanhar. Vale dizer que, durante o treino, o técnico Eduardo Braz deu inúmeras dicas de ciclismo. Concomitantemente, os participantes revezavam ao lado de Reinaldo, sugando-lhe as mais dversas dicas e informações.



Ao terminar o treino, Reinaldo reuniu a galera e agradeceu bastante a iniciativa. Disse que adorou a experiencia e que está aberto para novas oportunidade. Alguns participantes manifestaram-se sobre a clínica, em geral agradecendo a Reinaldo e Eduardo. E a sessão tietagem começou: fotos!



Quando achei que não veria mais nada, soube que Reinaldo faria, ainda, 5 tiros de 1km. É óbvio que eu não perderia isso por nada neste mundo! Foi insano! Vê-lo correr no estacionamento do Iguatemi e cercanias do Parque do Cocó foi um espetáculo à parte! Policiais e pedestres que viam aquela figura longilínea, quase voando, com pés que mal pareciam tocar o chão, calcanhares erguidos, numa postura que não se alterava nem mesmo no último tiro, ficavam boquiabertos. Porém, o sofrimento/esforço estava estampado no rosto, e lamentei não estar com celular em mãos para registrar o momento. Vi que alguém gravou, e tentarei conseguir este vídeo para compartlhar com vocês!! Foi de arrepiar!

Foi realmente ímpar! Ter, aqui, treinando ao nosso lado, o maior expoente do triathlon nacional em atividade, podendo vir a ser, em futuro bem breve, o maior do Brasil de todos os tempos, foi algo que ficará para a história.

Agora, a empolgação com os treinos foi à mil, e a torcida por Reinaldo Colucci também. Londres vem aí, e o cara está totalmente focado. Força, Colucci!!!

Quem quiser saber um pouco mais, clique aqui!!


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnatreinos

 
Jurerê Interncional - Minutos antes da largada Ironman 2011

 E chegamos a quarta-feira de cinzas. Mas, no meu caso, as únicas cinzas que vejo são de muitas calorias queimadas nestes cinco dias de carnaval. E não foi pulando, não!! Foi à custa de muito esforço: treinos!!

Segundo o Wikipédia, "a quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte."

 Assim, tendo em vista o sentido atribuído à quarta-feira de cinzas, aproveitemos e convertamos nosso modo de vida. Você que, neste carnaval, tomou mais litros de cerveja do que os litros de água existentes no Oceano Atlântico; você que deixou o próprio fígado pedindo arrego; você que celebrou a diversão em tempos que não se faz outra coisa; você que cultiva o sedentarismo e os demais fatores de risco para doenças cardíacas e afins; deveria aproveitar o momento e mudar. Mas aproveite o impulso. Não deixe a oportunidade passar. Converta-se! Saia de casa e faça exercício, nem que seja uma boa caminhada. Force-se a conhecer um mundo novo. Ou melhor, o mesmo mundo em que você vive sob nova perspectiva. Viva a vida, prolongando-a! E não fazendo inúmeras coisas que só diminuem seus dias.

Quer uma dica? Comece frequentando lugares onde o estilo de vida saudável é a tônica. Observe as pessoas, seus semblantes, sua alegria, etc. Troque ideias. E, mesmo que se sinta, no primeiro momento, um peixe fora d'água, insista um pouco. Nenhuma mudança é fácil! Mas tenha em mente que ela é estritamente necessária. Vai! Dou a maior força!

Meu carnaval

Com muito medo de pedalar na CE-040 no sábado, tendo em vista ser a via que liga Fortaleza às praias do Litoral Leste (principais redutos de grandes festas de carnaval), decidimos mudar o treino de ciclismo para corrida. E foram 12km corridos com os amigos Pedro e Walter. A chuva nos brindou, dando as boas-vindas do carnaval.

No domingo, 18km nos esperava. Eu e Pedro, firmes, rumo ao meu primeiro longão desde o Ironman Brasil 2011. Saímos do estacionamento do Iguatemi e fomos até o Alphaville Eusébio. Um céu nublado também facilitou nossa vida, apesar do sol ter aparecido ao final.

Na segunda, mais corrida. 7,5km na Beira-Mar de Fortaleza, com uma esticada nos últimos 2km, a qual me fez lembrar um passado recente. A emoção da volocidade é indescritível.

Na terça, informados que muitos haviam pedalado no carnaval e davam notícias de calmaria na CE-040, resolvemos fazer o treino de ciclismo. Era uma transição: ciclismo + corrida. Foram 71km de ciclismo, com alguns tiros longos, seguidos de 5km de corrida. Espetacular! Terminar um treino duro, sentido-se bem, é bom demais!!

E nesta quarta-feira de cinzas, 10,5km de corrida na Beira-Mar, recheados com 9 tiros de duração e intensidades variadas. Ao final, fomos agraciados com um banho de mar, o qual estava transparente e calmo, tal qual uma piscina natural caribenha. Impressionante! Com água à altura do pescoço, via-se com nitidez cristalina os próprios pés. Foi um grand finale para uma feriadão espetacular.

E vamos firmes e fortes rumo ao Campeonato Brasileiro de Longa Distância, a ser realizado no dia 17 de março, na Lagoa do Banana, Cumbuco, Caucaia-CE.

Um aperitivo

E para aqueles que farão o Ironman Brasil 2012, aí vai um aperitivo. Trata-se de uma sequência de vídeos particulares feitos no Ironman Brasil 2011. São da largada! Sintam a vibração. Duvido não se arrepíar após o som da buzina que anuncia a largada. E reparem no "formigueiro" de gente no mar e no sol nascendo.



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Carnaval x Rock



Tendo em vista a maioria das pessoas que realmente gostam de brincar o carnaval optar por viajar na sexta-feira, antecipo esta postagem. O texto não é meu, mas achei interessantíssimo e resolvi compartilhar. Ao final, dou o devido crédito ao autor.

Bom Carnaval, ou feriadão, a todos!

"Toda vez que o carnaval se aproxima, eu me recordo de um professor mal humorado que tive na faculdade, que detesta a festa mais popular do Brasil. Certa vez ele disse na sala de aula: “Eu odeio carnaval! Enquanto não acabarem com isso o Brasil não vai pra frente... Alguém aí já ouviu falar de Motörhead? Um bando de cabeludos, feios e barulhentos? Tinha que colocar eles pra tocar no trio elétrico de Salvador e dar um fim nisso...”. Imagine a cena: Lemmy e cia. em cima de um trio, no calor de Salvador, estourando os falantes com “Iron Fist”?

E que tal irmos mais adiante nessa viagem, imaginando um “universo paralelo” onde o trio elétrico ao invés de ter sido criado por Dodô e Osmar tivesse como pais Chuck Berry e Elvis Presley, e a música baiana fosse ouvida por uma minoria de cabeludos com camisetas pretas do Olodum, Timbalada, Banda Eva e garotas com shortinhos deixando a bunda de fora?
Você já se imaginou debatendo num fórum de um site chamado “Pombo Correio” (ao invés do Whiplash) qual o maior hino que Carlinhos Brown já concebeu? “Bebeu Água? Tá com sede?” ou “Vai buscar Dalila ligeiro...”? Isso sem falar que haveriam muitos pais e mães que proibiriam seus filhos de ouvir os discos daquele maluco baiano, porque acreditariam que ele tem pacto com o demônio.

Como seria um debate pra escolher a maior vocalista do mundo? Ivete e Claudinha Leite dividiriam os votos dos internautas, mas com certeza haveria os “puristas”, que prefeririam as vozes clássicas de Daniela Mercury ou Margareth Menezes.

E a tour do G3? Quem dividiria o palco? Robertinho do Recife, Pepeu Gomes e Durval Lelis, do Asa de Águia, divulgando seu álbum solo? Isso sem falar que haveriam bandas e mais bandas dos mais variados estilos, como samba progressivo, frevo melódico, speed axé...

Já do outro lado da moeda, o Fantástico promoveria aos domingos um grande concurso de “Hinos do Metal”, ao invés do Concurso de marchinhas. As escolas do Rio de Janeiro e São Paulo exibiriam em sua sessão rítmica uma pá de guitarristas virtuosos acompanhados de orquestras sinfônicas, onde os jurados votariam qual foi melhor no quesito “virtuosismo e variedade de escalas”. Dá até pra imaginar Joe Satriani comentando ao lado do Cléber Machado: “a escola tal tem uma boa harmonia, mas abusou muito das pentatônicas, e isso pode custar alguns pontinhos na apuração de quarta-feira”.

Na TV, assistiríamos a um seriado chamado “Heavy Metal Thunder” ao invés de “Ó Paí Ó”, onde o cenário deixaria de ser o Pelourinho e a ação se passaria em uma Birmingham industrial na Inglaterra, cujo personagem principal seria um jovem dislexo de apelido Ozzy contando suas aventuras ao tentar montar uma banda.

Ah sim, é claro, os trios elétricos mais disputados de Salvador seriam os do Motörhead, do Slayer e do Sepultura. Ao invés do abadá, a multidão teria que trajar uma jaqueta preta de couro e coturnos. Ao invés de pulserinha vip, um spike cheio de tachinhas no punho. E ao invés de assistirmos ao tradicional desfile de fantasias de plumas e paetês nos canais de TV de menos audiência, teríamos um concurso de “Corpse Paintings”, cujos comentaristas seriam Alice Cooper, Paul Stanley e Gene Simmons.

E se o mundo fosse assim? Um lugar onde fosse normal um homem usar cabelo comprido sem ser discriminado, onde você pudesse fazer quantas tatuagens você bem entendesse, mas ao mesmo tempo seria um horror ligar a TV e dar de cara com um bando de malandros “cantando” para mulheres seminuas sambarem? Um lugar onde estivesse tudo bem se as crianças ouvissem e cantassem “The Number Of The Beast” ao invés de usar trajes minúsculos e aprendessem coreografias sentadas na boquinha da garrafa ou, Deus nos livre, o tal do Créu?

Quem sabe assim seríamos vistos com outros olhos quando alguém entrasse no nosso carro pra pegar uma carona e estivesse rolando “Holy Wars” no som, ao invés do previsível “Você ouve ISSO?”. Quem sabe tal reação não se inverteria, e ao ouvirmos alguém cantarolando “Dança da Manivela” pudéssemos ficar indignados e ter o apoio da maioria...

Mas também poderia ser pior... Quem sabe nós rockeiros é que faríamos parte da minoria neste universo paralelo e estaríamos aí aguardando ansiosos pela turnê de reunião da banda Cheiro de Amor, enquanto o restante da população nos indagaria com os dedos indicadores em riste: “Você teve coragem de pagar 300 reais pra ir ver um show desses?”.

P.S.: brincadeiras à parte, quem gosta de carnaval que não de curtir a festa, sem preconceitos... eu, particularmente, prefiro continuar quietinho aqui em casa, ouvindo Pink Floyd, descansando a cabeça e relaxando nestes quatro dias de feriadão..."

O texto é de DOCTOR ROBERT, colaborador do site http://whiplash.net/. Outros textos do mesmo autor estão ao alcance de todos no seguinte endereço:
http://whiplash.net/autores/doctorrobert.html.

Valeu, galera!! E não esqueçam: neste carnaval, muito juízo.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ciclistas - Ciclovia - Autoridades - Legislação



Programa da TV União que transmitiu excelente debate em 15.02.2012


Ontem, ao assistir o excelente programa A Verdade, veiculado pela TV União e conduzido pelo jornalista e corredor Hamilton Nogueira, fiquei pasmo ao ver o pocisionamento da autoridade responsável pela Companhia de Policiamento Rodoviário - CPRV sobre os ciclistas na rodovia CE-040.

Antes, temos que nos localizar no debate. O programa visava discutir a cidadania e o trânsito, abordando, também, a problemática dos ciclistas que utilizam a Av. Washington Soares e a CE-040 frente os inúmeros acidentes que vem ocorrendo naquela região, envolvendo ciclistas e condutores de veículos automotor (geralmente embriagados).

Pois bem! Ocorre que o Coronel Studart, a autoridade mencionada acima, inobstante sua boa vontade em solucionar o problema, afirmou que, se o condutor embriagado está errado, o ciclista que trafega fora da ciclovia também o está. E foi exatamente ao ouvir esta afirmação que pasmei.

NÃO É BEM ASSIM!

Vamos por partes! O Código de Trânsito Brasileiro - CTB, Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, em seu art. 58, assim versa:

  • "Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores."

É com base no dispositivo legal acima que o Cel. Studart ampara sua afirmativa. À primeira vista, numa análise superficial, parece estar correto. Afinal, o artigo fala que a circulação nos bordos da pista de rolamento só pode ocorrer com a seguinte condicionante: quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes.

Mas, como já disse acima, NÃO É BEM ASSIM! O Cel. Studart está PARCIALMENTE correto.

Neste caso ora analisado, há de se perceber que há ciclistas e ciclistas. Parece-me óbvio que o CTB fez menção ao ciclista comum, ou seja, aquele que utiliza sua bicicleta apenas para se locomover. A interpretação do art. 58, feita pelo Coronel Studart, é perfeita para este tipo de ciclista. Há a ciclovia? Há. Então este ciclista não pode trafegar no bordo da pista de rolamento da Av. Washington Soares e na CE-040. Perfeito!!

No entanto, o ciclista esportivo não é um ciclista comum. Trafegamos a velocidades relativamente altas para uma bicicleta. Velocidade esta que pode chegar a mais de 60km/h. Muitas vezes, treinos são realizados com médias de 40km/h. E é aqui que salta a pergunta: Como podemos, praticando o ciclismo esportivo, trafegar na ciclovia da av. Washington Soares e CE-040? E eu mesmo respondo: IMPOSSÍVEL!!! Ressalte-se que o pára-choques do ciclista é sua própria testa!!

A lei não consegue esgotar todas as situações da vida. Ou seja, não há como o legislador abarcar todas as possibilidades no texto legal. Sempre aconterão fatos que não estarão literalmente previstos na legislação. Mas, nem por isso, deixarão de estar amparados pelo ordenamento jurídico. Para resolver tais problemas lança-se mão das técnicas de interpretação da lei. A hermenêutica jurídica é a técnica específica que visa a compreender a aplicabilidade de um texto legal.

E é aqui que a Administração Pública, no nosso caso específico, a autoridade de trânsito responsável pela Av. Washington Soares e CE-040, a saber, a CPRV, deve, SEMPRE MOVIDA PELO INTERESSE PÚBLICO, interpretar a legislação da melhor forma, compatibilizando interesses.

Parece-me que, diante do art. 58 do CTB, há de se usar interpretação teleológica. Segundo a Teoria Geral do Direito, é a técnica que objetiva adaptar a finalidade da norma às novas exigências sociais. Tal técnica busca no preceito normativo a sua finalidade, para então determinar o seu sentido. Para tanto, do topo de tal ordenamento, munido do conhecimento dos fins para os quais foram elaborados, deverá atentar para todo o panorama social hodierno visando adaptar o seu sentido.

Assim, vê-se, POR ÓBVIO, que o ciclista atleta não pode usar a ciclovia na forma em que hoje ela existe, a saber, cheia de obstáculos e interrupções. E então? Eu, ciclista atleta, ao usar o bordo da pista de rolamento estarei errado, comentendo uma infração administrativa? Caso a resposta seja positiva, como pretende o Cel. Studart, eu ficarei tolhido de praticar meu treinamento. Entretanto, o próprio art. 58 do CTB, ao mencionar as condicionantes para uso do bordo da pista de rolamento, diz: "(...) quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes (...)".

Ora, é claro que, para o ciclista atleta, NÃO É POSSÍVEL A UTILIZAÇÃO DA CICLOVIA existente hoje na Av. Washington Soares e CE-040. Assim, consequentemente, abre-se a possibilidade de trafegar no bordo da pista de rolamento. TUDO PERFEITAMENTE EM CONSONÂNCIA COM O ORDENAMENTO JURÍDICO.

Destarte, NÃO... não estão comentendo infração administrativa os ciclistas atletas, EM TREINAMENTO (é bom que seja reforçado), que estejam trafegando no bordo da pista de rolamento da CE-040.

É, na minha humilde visão, a melhor e mais justa interpretação da norma.

Não podemos fazer uma interpretação que restrinja o direito de um grupo, no caso, os ciclistas. Nós só queremos segurança, frente as barbaridades que motoristas alccolizados vem praticando diuturnamente. Não se pretende ser melhor ou pior do que os outros interesses. Só pretendemos receber o que nos é de direito. Queremos praticar nossos treinos com a segurança que se espera do Estado. É sabido de todo o problema social e cultural vivenciado. Mas é exatamente neste contexto que o Estado, na sua posição de mais forte, e em nome do interesse público, deve agir.

Eis o meu pensamento, salvo melhor juízo!