Confesso-lhes que nunca tinha ouvido falar em tal nome: CREONTE. De janeiro último para cá, passei a ouvi-lo constantemente. A priori, por desconhecimento, não dei muita atenção. Depois, sabendo a intenção dos que pronunciavam o nome, e, principalmente, o sentido que a palavra tinha para estas pessoas, passei a ter curiosidade maior, e busquei informações.
Creonte, pois, é um personagem da mitologia grega, intimanente ligado a Tebas, onde se desenrolou a trágica história de Édipo, Jocasta e Laio.
Bem, vamos ao mito, para, empós, continuar a explanar sobre a outra acepção que recebeu o nome Creonte.
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| Édipo e a Esfinge |
Tudo começou quando Cadmo, bisavô de Laio, pai de Édipo, chegou à Tebas trazendo uma maldição lançada pelo deus Ares. O oráculo de Apolo disse que Laio não poderia ter um filho homem, devido à maldição. Mas, mesmo assim, ele casou-se com Jocasta e, não resistindo à força do desejo, numa das idas ao seu leito, teve Édipo. Com medo da maldição, ele deixou o filho numa encosta do cume do monte Citéron. Lá, a criança foi achada pelos pastores e levado à casa de um rei de outras terras, o rei Pôlibo, que cuidou dele a vida toda, junto com sua esposa.
Certo dia, já crescido, Édipo quis saber sobre a sua descendência verdadeira, e foi ao oráculo de Apolo. Lá encontrou Laio, que também queria saber o paradeiro de seu filho abandonado. E, após um desentendimento, e sem saber que Laio era seu pai, Édipo o matou.
Neste mesmo período, a Esfinge castigava com crueldade a cidade de Tebas e, por isso, Creonte, irmão de Jocasta, ofereceu a coroa e a mão de sua irmã a quem pudesse decifrar o enigma da Esfinge e acabar com ela. Por um triste acaso, foi Édipo que interpretou o seu canto e casou-se com a própria mãe. Desse casamento nasceram quatro filhos: dois homens, Etéocles e Polinices, e duas meninas, Ismene e Antígona. E quando Édipo descobriu que tivera filhos e irmãos com sua mãe, enlouquecido por esta desventura, ele perfurou os próprios olhos, e lançou uma maldição aos filhos, dizendo que eles se matariam num duelo pelo palácio. Os dois irmãos, temendo que os deuses cumprissem esta maldição paterna, convencionaram que o mais novo, Polinices, deixasse a pátria pelo período de um ano, e que o trono ficasse com Etéocles. Após este período, ele voltaria para o revezamento do poder, com iguais direitos. Só que, passado este prazo, Etéocles se recusou a entregar o palácio, expulsando novamente Polinices da pátria. Desarvorado, Polinices juntou-se ao rei de Argos, o rei Ádrasto, e reuniu muitos soldados para enfim invadir Tebas e tomar o seu trono devido. Antes, Jocasta propôs uma trégua, onde os filhos pudessem resolver a querela. Só que após muito argumentarem, os dois irmãos se revoltaram e quase se mataram no próprio palácio, fazendo com que Polinices fosse novamente embora e ambos se preparassem para o duelo final. Antes de sair, Etéocles passou algumas instruções a Creonte, entre elas que o cadáver de Polinices nunca fosse enterrado em Tebas, recebendo a pena de morte quem tivesse esta audácia, amigo ou inimigo. Entre outras decisões, Creonte ficaria com o trono caso ele não continuasse vivo. Durante este acontecimento, o adivinho Tirésias disse que o jovem Meneceu, filho de Creonte, deveria morrer para salvar Tebas, oferecendo o seu sangue pela salvação da pátria. E assim foi feito.
Certo dia, já crescido, Édipo quis saber sobre a sua descendência verdadeira, e foi ao oráculo de Apolo. Lá encontrou Laio, que também queria saber o paradeiro de seu filho abandonado. E, após um desentendimento, e sem saber que Laio era seu pai, Édipo o matou.
Neste mesmo período, a Esfinge castigava com crueldade a cidade de Tebas e, por isso, Creonte, irmão de Jocasta, ofereceu a coroa e a mão de sua irmã a quem pudesse decifrar o enigma da Esfinge e acabar com ela. Por um triste acaso, foi Édipo que interpretou o seu canto e casou-se com a própria mãe. Desse casamento nasceram quatro filhos: dois homens, Etéocles e Polinices, e duas meninas, Ismene e Antígona. E quando Édipo descobriu que tivera filhos e irmãos com sua mãe, enlouquecido por esta desventura, ele perfurou os próprios olhos, e lançou uma maldição aos filhos, dizendo que eles se matariam num duelo pelo palácio. Os dois irmãos, temendo que os deuses cumprissem esta maldição paterna, convencionaram que o mais novo, Polinices, deixasse a pátria pelo período de um ano, e que o trono ficasse com Etéocles. Após este período, ele voltaria para o revezamento do poder, com iguais direitos. Só que, passado este prazo, Etéocles se recusou a entregar o palácio, expulsando novamente Polinices da pátria. Desarvorado, Polinices juntou-se ao rei de Argos, o rei Ádrasto, e reuniu muitos soldados para enfim invadir Tebas e tomar o seu trono devido. Antes, Jocasta propôs uma trégua, onde os filhos pudessem resolver a querela. Só que após muito argumentarem, os dois irmãos se revoltaram e quase se mataram no próprio palácio, fazendo com que Polinices fosse novamente embora e ambos se preparassem para o duelo final. Antes de sair, Etéocles passou algumas instruções a Creonte, entre elas que o cadáver de Polinices nunca fosse enterrado em Tebas, recebendo a pena de morte quem tivesse esta audácia, amigo ou inimigo. Entre outras decisões, Creonte ficaria com o trono caso ele não continuasse vivo. Durante este acontecimento, o adivinho Tirésias disse que o jovem Meneceu, filho de Creonte, deveria morrer para salvar Tebas, oferecendo o seu sangue pela salvação da pátria. E assim foi feito.
Antígona enterrando o corpo de Polinices.
Etéocles e Polinices se encontraram para um duelo sangrento, que durou muito tempo, e que resultou na morte dos dois. Jocasta, avisada por um mensageiro, correu até o campo de batalha com sua filha Antígona, para tentar evitar esta tragédia, chegando tarde demais. Vendo aquela cena horrenda, ela pegou o punhal de um dos filhos e atravessou em seu pescoço, matando-se também. Antígona, desesperada, voltou ao palácio para contar a seu pai, Édipo, as tragédias que haviam ocorrido. Édipo recebeu a notícia com muita dor.
Creonte, destruído por ter perdido o filho, soube que também perdera a irmã, e que o rei Etéocles e seu irmão Polinices já não mais existiam. Com isso, sendo assim o novo rei, expôs as determinações que Etéocles havia transmitido a ele: Antigona deveria se casar com seu filho Hêmon, Édipo deveria ser expulso da pátria, e o corpo de Polinices não deveria ser sepultado e sim entregue às aves carniceiras. Antígona ficou revoltada com a decisão e disse que iria enterrar o seu irmão. Creonte decretou a morte de Antígona, caso ela consumasse este feito.
Édipo, mandado para o exílio, foi acompanhado por Antígona e, em seus momentos finais, refletiu que ele, um siples mortal, mesmo tendo derrotado a feroz Esfinge, tendo sido um herói para Tebas e feito só coisas boas, foi incapaz de mudar o seu destino, não tendo domínio sobre sua vida, estando vulnerável apenas a acatar as decisões dos deuses.
Etéocles e Polinices se encontraram para um duelo sangrento, que durou muito tempo, e que resultou na morte dos dois. Jocasta, avisada por um mensageiro, correu até o campo de batalha com sua filha Antígona, para tentar evitar esta tragédia, chegando tarde demais. Vendo aquela cena horrenda, ela pegou o punhal de um dos filhos e atravessou em seu pescoço, matando-se também. Antígona, desesperada, voltou ao palácio para contar a seu pai, Édipo, as tragédias que haviam ocorrido. Édipo recebeu a notícia com muita dor.
Creonte, destruído por ter perdido o filho, soube que também perdera a irmã, e que o rei Etéocles e seu irmão Polinices já não mais existiam. Com isso, sendo assim o novo rei, expôs as determinações que Etéocles havia transmitido a ele: Antigona deveria se casar com seu filho Hêmon, Édipo deveria ser expulso da pátria, e o corpo de Polinices não deveria ser sepultado e sim entregue às aves carniceiras. Antígona ficou revoltada com a decisão e disse que iria enterrar o seu irmão. Creonte decretou a morte de Antígona, caso ela consumasse este feito.
Édipo, mandado para o exílio, foi acompanhado por Antígona e, em seus momentos finais, refletiu que ele, um siples mortal, mesmo tendo derrotado a feroz Esfinge, tendo sido um herói para Tebas e feito só coisas boas, foi incapaz de mudar o seu destino, não tendo domínio sobre sua vida, estando vulnerável apenas a acatar as decisões dos deuses.
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A mitologia grega é mesmo linda e trágica. Uma maneira própria, daquele povo, de tentar explicar o inexplicável (pelo menos para a época).
Entretanto, no Brasil, a nome Creonte assumiu uma acepção pejorativa. Explico. No anos 80, o Jiu Jistu passou por enorme efervescência no Rio de Janeiro. Academias foram buscadas pelos praticantes e a filosofia do Jiu Jitsu cresceu bastante. No entanto, sob o estigma de lealdade à sua academia, os praticantes da época abominavam aqueles que, por qualquer motivo, trocassem de academia.
Na mesma época, especificamente entre 1987 e 1988, era transmitida a novela MANDALA, a qual possuía trama parecida com a trágica sina de Édipo e Jocasta. Inclusive utilizando os mesmos nomes dos personagens mitológicos. Havia, também, o personagem Creonte, o qual foi interpretado pelos atores Marcos Palmeira (1ª fase) e Gracindo Junior (2ª fase). Creonte, na novela global, era um personagem de conduta nada escorreita. Possuidor de índole duvidosa e desmerecedor de qualquer confiança. A novela, como é sabido, foi um sucesso.
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| Marcos Palmeira |
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| Grancindo Jr. |
Carlson Gracie, renomado professor do Jiu Jitsu, integrante da família mais famosa no mundo desta arte marcial, era dono de uma das academias do Rio de Janeiro e, segundo consta, dotado de uma personalidade muito forte. Referindo-se àqueles que trocassem de academia, ou seja, os pretensos traidores, Carlson os chamava de CREONTE, em alusão direta ao personagem da novela Mandala.
Daí por diante, o nome Creonte assumiu este sentido pejorativo no Brasil. Na minha humilde opinião, houve uma clara confusão sobre o conceito de lealdade. Exigir, ainda que inderetamente, sob pena de ser reprovado socialmente (no ambiente frequentado), que alguém fique "preso" a uma academia para que não seja taxado de traidor (reprovação social), mais parece setenciar alguém à escravidão do que propriamente valorizar a lealdade. Melhor seria, para ficar menos forçoso, fundar logo uma religião. Assim, poder-se-ia, utilizando os dogmas da nova religião, influenciar na fidelidade do praticante para com determinada academia/religião. Mesmo assim, nenhuma segurança se teria sobre a extinção dos "Creontes". Até mesmo no meio religioso há intensa troca de fiéis.
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| Até mesmo uma marca foi criada. |
A cabeça humana é mesmo indecifrável. Há aquele mais previsível. Há o totalmente imprevisível. O certo é que o labirinto do pensamento humano é mesmo sem saída.
E eu? Bem... eu fico com o Creonte da mitologia grega, o qual me pareceu, até o final, fiel à Tebas.



